Dois casamentos e muitos filhos que sustentam a relação de amizade afetuosa entre nossas famílias. Nunca me conformei que a sua família não tenha registrado toda sua “verve” e brilho e pude verbalizar essa minha inconformação à sua filha Maria Helena em encontro na Secretaria da Saúde que eximiu-se da tarefa cobrando de mim:
“Se você sabe tantas histórias de meu pai, porque não as escreve?.
Por isso sinto-me no dever de fazê-lo por conhecer alguns dos chistes de sua maravilhosa criação, mas preciso da ajuda da família.
Criou os protagonistas para suas histórias, sendo a mais importante “Seu João Borrego”, alto comerciante, fazendeiro e chefe político de Capoeiras, de quem explorava a pouca instrução. Era compadre de Sebastião e divertia-se demais com uma risada escancarada a ponto de, a cada encontro, cobrar “a sua nova história”.
Quando “seu” João morreu,em respeito Sebastião transferiu a personagem para o seu filho mais velho Heronides e quando Heronides morreu, mais uma vez repassou a personagem para o genro de Heronides, Zezinho Almeida, ambos figuras de destaque na sociedade de Capoeiras.
Pelo que se vê, Sebastião era um dos que faziam de tudo, mas não perdiam a piada! Pra começo, vou começar do fim, contando as últimas duas estórias de Sebastião antes de sua morte, que ouvi criadas e contadas por ele próprio:
ESCADA ROLANTE DO SHOPPING CENTER
A última vez que encontrei Sebastião, antes dele morrer, aconteceu no Shopping Center do Recife, ele com Dadá e eu com Dulce e a ocasião perfeita para escutar suas duas últimas histórias. Foi uma alegria o reencontro e, depois dos abraços, ele começou a reclamar de sua vida no Recife que só aceitou porque as meninas precisavam estudar aqui.
Lamentava a falta de Garanhuns, a falta da prosa com os amigos, sem ter com quem conversar e a solidão de encontrar-se “empoleirado“ num apartamento nas Graças, de onde pouco se afastava. Depois de muito se queixar, arrematou:
“Para lhe ser sincero, Ivan, a única coisa que presta aqui no Recife é aquele negocinho ali”, e apontando para a escada rolante explicou: Andei o quanto quis, subi e desci não sei quantas vezes, até cansar. E aí perguntei a um rapaz que estava no pé da escada: “Moço, quanto foi a passagem?” e ele respondeu para a minha surpresa: “Não é nada não, meu senhor, é de graça”. Aí não tive dúvidas em me aproveitar e dei a ordem:
“ENTÃO ME DEIXE NA RODOVIÁRIA!”.
Para completar contou uma segunda história que, segundo ele, ilustrava muito bem o aperreio e a confusão da vida que estava levando no Recife.
“Pra você ter ideia, essa semana tive que sair para resolver alguns negócios e preveni Dadá que iria me atrasar para o almoço”. Ela me tranquilizou e disse: “Olha Sebastião vai resolver seus negócios, pois eu vou sair também e deixo a empregada prevenida que à hora em que você chegar, você come”. E completou:
“SEU IVAN, FIZ UMA CONFUSÃO DANADA, TROQUEI AS COISAS E O RESULTADO É QUE COMI A EMPREGADA E ESQUECI O ALMOÇO”.
Veja que situação e caiu na gargalhada, no que foi acompanhado por todos nós, enquanto Dadá o mandava tomar jeito e deixar de invenção.
Muito bom,Sr. Ivan Rodrigues adorei a homenagem a meu avô Sebastião Moura.Ele foi muito especial para nós,e mamãe sra.Celeste Moura é espirituosa assim como ele foi,todos os filhos e netos teem um pouco dele,da sua alegria e gostamos de ser reconbecidos como um Moura,que representa a força,alegria,espontaneidade e uma pessoa que foi um empreendedor perseverante.Sentimos muito a sua falta,e é muito gratificante para nós ler a sua memória.Mamãe sempre nos contava algumas de suas tiradas engraçadas,se ela lembrar de mais alguma terei o prazer de compartilhar;eu sou uma das suas netas que teve o privilégio de nascer na sua residência na Boa Vista,bem no seio da família Moura.Grata pelo reconhecimento do amigo da família.Um abraço,Bertilia M.Lins.
ResponderExcluirMinha cara Bertília: Que alegria receber sua mensagem. Neta de Sebastião e filha de Celeste. Fora com agradecimentos e peça a Celeste para contar o extremo bem-querer entre nossas famílias representadas pelos patriarcas. Meu velho Zébatatinha era padrinho de Paulo, seu tio, e se estimavam muito. Por isso não me conformava que sua família não tivesse registradas as famosas "estórias" de Sebastião e, numa ocasião encontrando-me com Maria Helena manifestei essa inconformação ao que ela de pronto me retrucou: "Já que sabe tantas tiradas de meu pai, por que você não escreve ?". Estou tentando e acumulando um bom sortimento para, nas horas vagas, atender a solicitação. Pra mim, tem sido um grande prazer. Grande abraço para todos os seus (quase escrevia: os nossos!)
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