sábado, 28 de outubro de 2017

PESQUISAS ELEITORAIS FORA DE ÉPOCA


Antes de mais nada pesquisas eleitorais faltando mais de um ano para uma eleição é tão falsa quanto uma cédula de 7 reais e sobretudo no atual quadro político nacional, com extrema e imprecisa mobilidade eleitoral. 
 
Seria importante saber quem está financiando essas pesquisas e a quem interessa seus resultados amalucados. A grande maioria da população está decepcionada e absolutamente descrente da classe política em cena, e, mais importante que buscar mal definidas preferências, seria a divulgação das REJEIÇÕES aos nomes citados, alguns desonestamente referidos por serem muito pouco conhecidos da Nação; outros por não possuir credenciais que os habilitem a disputar a mais ínfima prefeitura do Brasil, outros a exemplo de um capitão, torturador confesso, tão medíocre que não conseguiu sequer fazer carreira no exército.
 
A rejeição a Lula ultrapassa - de forma enfadonha - os 50% e qualquer profissional, por mais incompetente que seja, sabe que índices de rejeição neste nível inviabilizam qualquer possibilidade de sucesso do mais brilhante candidato.
 
Os demais candidatos listados revelam pouca visibilidade ou, então, absoluto desconhecimento perante a população brasileira, o que inviabiliza qualquer indicativo no sentido de identificação de qualquer preferência.
 
Em verdade, essas pesquisas eleitorais constituem mais um triste episódio no panorama degradante que tomou conta da lamentável classe política brasileira., ora apavorada pelas centenas de processos penais a que responde e decidida a ampliar os seus expedientes indignos para salvarem a pele, sobretudo para se protegerem diante da ameaça de extinção do protetor de bandidos: o Foro Privilegiado.
 
Teremos que lutar muito, dispender muito suor e lágrimas para derrotar esses marginais através do voto consciente - legítima arma democrática de um povo que optou abertamente pela democracia.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O BRASIL TEM SAÍDA, SIM !


Contemplando o panorama brasileiro do ALTO DOS MEUS 90 ANOS, fico desesperado com o desencanto e a desesperança que se arraigou no espírito da Nação, como se,  de repente, um imensurável buraco negro tivesse tivesse engulido nossos princípios, nossos valores, nossas convicções e todos nossos sentimentos de honradez e decência.    

Assusta-me o clima permanente de combate e duelo à moda das rinhas que só terminam com a morte dos contendores. Cultiva-se uma permanente beligerância em que a norma é destruir, sem contemplação, a reputação alheia. Divide-se a Nação em duas bandas, em que a minha não erra e a sua é de bandidos; a minha é composta de proceres da República e a sua é de corrúptos; a minha é vitima de conspiração e a sua é protegida pelo Judiciário; aguçam-se as divergências sem que ninguém busque as convergências, ao reverso do que sempre a Política defendeu: O diálogo, o bom debate, a dialética civilizada !.

Mas, continuo um otimista incurável. Ainda acredito no Brasil e nas suas potencialidades, inclusive humanas. Existe, sim, muita gente decente a ser considerada, mesmo intimidada pelo clima de ódio e intransigência implantado, propositadamente, para afastar os bons. Querem nos impingir um círculo de gís intransponível, reduzidas à epítetos de coxinhas, mortadelas e golpistas, como se fôssemos participantes de bate-boca de comadres em porta de boteco. Não se discute a boa política e o campeão será o de melhor uso dos dicionários de palavrões.

Seria tão difícil de entender que a saída possível e inarredável é o fortalecimento das instituições - mesmo precárias - através do respeito à Constituição e às Leis dela decorrentes. Na democracia é assim, gente, e esse apelo demagógico às "diretas", sabendo de sua inviabilidade imediata, é demagogia populista e desvio do verdadeiro foco da questão. Façam uma experiência, como estou fazendo, para a busca de nomes inatacáveis que comprovem a sua existência nesse apenas aparente deserto de GENTE DO BEM.

Comecem a listar figuras - dentro da política e fora dela - não comprometidas com a bandalheira geral, que não estejam indiciados nem processados e, muito menos, condenados por corrupção ou outro ilicito qualquer e não vale desqualificação seletiva de sentenças já decretadas e não revogadas; com credibilidade para montar um governo de salvação nacional, acima de qualquer suspeita. Garanto-lhes que tem muita gente boa que atende ao perfil desejado. Experimentem com paciência e fé para comprovar o que digo. É só procurar e jogar a opinião pública em defesa de um projeto que já foi já adotado no mundo inteiro, inclusive no Brasil, com sucesso.

Lembrem Gandhi na India pós-colonialista; o Pacto de Moncloa; na Espanha pós-Franco; Mandela na África do Sul pós- apartheid; em Portugal de Mário Soares da pós-Revolução dos Cravos; na Irlanda pós-Ira que o obscurantismo do BREXIT ameaça destruir; e vai por aí afora...

Mas tem uma regra simples a ser cumprida com todo o empenho: ESQUEÇAM O ÓDIO QUE DIVIDE A NAÇÃO E BUSQUEM AS CONVERGÊNCIAS QUE UNEM O POVO. Lembro uma lição que aprendi com Arraes; "Na dificuldade, procurem o povo que ele nos ensinará o caminho".

Aposto tudo que construi na vida que, para os 14 milhões de desempregados que estão desesperados sem um pão no fim do dia e um cuscús no almoço, essa arenga de meninos malcriados expostas nas redes sociais não tem a menor importância ! O diabo é que todos têm a arrogância de falar em nome do povo.

Viva o Brasil, que é mais importante que todos nós e de querelas de porta de botecos !

sábado, 6 de maio de 2017

AINDA A QUESTÃO PREVIDENCIÁRIA


Tenho sido interpelado sobre a minha opinião sobre o projeto de  reforma do Sistema Previdenciário, ora tramitando no Congresso Nacional, em face das divergências explicitadas por diversas correntes de opinião; da rejeição declarada da Igreja Católica; de um tomada de posição contrária da Executiva do PSB Nacional; da manifestação do Governador criticando o fechamento partidário da questão e defendendo um maior debate do assunto, por conta da sua complexidade e, por fim, da dificuldade de sua aprovação uma vez que a reforma trabalhista – que seria bem mais difícil - já foi aprovada no Senado.

A)   Não tenho nada a modificar sobre o meu entendimento, já explicitado em postagem divulgada, e fundamentado em dois pontos principais: 1º - Sou contra qualquer reforma previdenciária, que não tome como foco principal a busca da UNIFICAÇÃO DO SISTEMA PREVIDENCIÁRIO, composto atualmente por um Regime do Serviço Público, com 1,2 milhões de contribuintes, com proventos médios de aposentadoria na ordem de R$8.600,00 mensais e 2º - um Regime do Serviço Geral, com 28 milhões de contribuintes, com proventos médios de aposentadoria na ordem de R$1.300,00 mensais, sendo que 58% deles é composto por aposentados do INSS que recebem apenas um Salário Mínimo de R$937,00 para sobreviverem, sabe Deus como !.

Não sou idiota para pretender nivelar salários e/ou proventos de aposentadoria, que sempre serão distintos em face das qualificações que os cargos inferiores não o possuem, mas não admito nem aceito  - como justa - a infamante discrepância de valores e dos limites estabelecidos que consagram e eternizam essa terrível desigualdade.

Basta lembrar que o limite máximo do valor da aposentadoria do Regime Geral do INSS, mesmo atendendo todos os limites de idade, de tempo de contribuição e de teto de contribuição de 10 S.M. (R$9.370,00), é hoje, de ridículos R$5.531,31 (Cinco mil, quinhentos e trinta e um reais e trinta e um centavos), enquanto no Regime do Serviço Público, na prática, como acaba de firmar recente decisão do STF, NÃO TEM limites.

B)   Do mesmo modo e com o mesmo fervor, tenho vergonha de ir pra rua defender a manutenção desse regime iníquo atualmente vigente, carregado de injustiças, desigualdades e privilégios, defendido ardorosamente pela fantástica rede de regalados beneficiários da alta assessoria e acadêmicos do executivo e das empresas estatais, dos generosos proventos e acessórios dos membros do Judiciário e do Ministério Público e, sobretudo, da esbórnia praticada para gáudio dos parlamentares e seus apaniguados.

Não conheço nada mais reacionário e conservador do que a manutenção de um “status quo” que garante e se defende para engessar uma ordem injusta e de caráter excludente, em nome de uma falsa ideologia que, ao mascarar com uma suposta defesa dos pobres, eterniza a infâmia de uma aposentadoria de 15 milhões de aposentados de salário-mínimo e dos seus desventurados companheiros com uma aposentadoria média de mil e trezentos reais, ao mesmo tempo em que se garante a sustentação dos privilegiados.

Sem contar a audácia de algumas igrejas que, pretensamente em nome dos pobres e oprimidos, assumiram uma postura claramente partidária para defender a manutenção desses privilégios que ME RECUSO DEFENDER. Desculpem-me a veemência, mas sinto-me próximo a Graciliano que em face de sua idade avançada, justificava o não uso de exclamação e reticências em seus escritos: sem querer equiparar-me ao Mestre, mas ancorado nos meus 90 anos, reservo-me ao direito de manifestar-me clara e explicitamente sem reticências, embora ainda esteja vulnerável à algumas exclamações de surpresa.

Meu Diocesano, o “Gymnasio” de Padre Adelmar, em nota de sua Direção, acaba de decretar paralização no dia 28 em cumprimento à determinação superior, sem consulta aos seus empregados e com previsão de compensação do dia parado (previdente padrão empresarial). Aliás, greve de patrão não é greve: É LOCAUTE, só tinha assistido em 1959 promovida em Pernambuco, comandada por Cid Sampaio! (sem comentários).

sábado, 1 de abril de 2017

PERIPÉCIAS DA CARNE E AFINS

Como sempre acontece na minha vida, as reminiscências são constantes e, a propósito dessa tempestade armada em torno da carne, relembrei alguns casos pertinentes que vivi e neles tive importante protagonismo.

Na década de 1980, à cerca de 30 anos, fui Presidente da CILPE, empresa de produção de derivados do leite de forte atuação nos meios de produção do Estado. Ali na Rua Dr. José Mariano, na Ilha do Leite, funcionava a usina de pasteurização do leite em que pontificavam alguns dos mais reputados técnicos brasileiros de laticínios, tais como Antônio Coelho, Salomão Kirzner, Clarisvaldo Germano, Chico Carneiro da Cunha e outros não menos notáveis.
Na época, já funcionava e muito bem o Serviço de Inspeção Federal (SIF), subordinado como hoje ao Ministério da Agricultura e que, para tanto, mantinha um laboratório para inspeção dos produtos dentro das instalações da própria CILPE.

Registro, como reconhecimento, que o SIF mantinha um corpo técnico de alto nível científico, sério, competente e diligente e, por vezes, exigente a ponto de incomodar nosso pessoal. Tal circunstância era sempre motivo de preocupação no sentido de manter um bom relacionamento entre o SIF e o nosso pessoal. Faço essa referência de modo pessoal, pois algumas peças isoladas de qualquer órgão não contaminam a credibilidade da instituição, como ora procura-se insinuar contra os órgãos de controle de qualidade de produtos alimentícios.
Conheci, a partir daí, o rigor da fiscalização de produtos alimentícios de origem animal e as exigências previstas pelas empresas multinacionais quando do recebimento dos laticínios fornecidos, inclusive leite-em-pó. Entendi que nenhuma corrupção vence os instrumentos de fiscalização e auditoria de empresas importadoras (de qualquer origem) que chegam ao requinte de enviar equipes de auditoria especializada para vistoria nos próprios estabelecimentos produtores de origem.

Um dia ocorreu um incidente que quase joga fora essa boa relação. Já naquela ocasião o trânsito do cais José Mariano era terrível e a CILPE possuía outra via de acesso através da Rua da Glória. Para facilitar a mobilidade dos veículos de serviço, desde as dezenas de caminhões-tanque que traziam o chamado leite cru coletado e outros tantos caminhões de distribuição de leite que durante todo o dia faziam a distribuição do leite envazado por todos os bairros da cidade e algumas da região metropolitana (bons tempos em que dispúnhamos de produtos mais saudáveis), determinei que a entrada da José Mariano seria reservada, exclusivamente, aos veículos de transporte do produto. Quanto aos demais, em sua maioria veículos pequenos e de transporte pessoal inclusive do Presidente, se obrigariam a usar a Rua da Glória.   
Façam ideia do rolo criado por essa determinação. O pessoal do laboratório do DIPOA reagiu a determinação, entendendo que não poderiam obrigar-se – como todos os demais – a cumprir a determinação. No dia seguinte, ao chegar cedinho na usina  encontrei a entrada da José Mariano bloqueada pelos automóveis dos servidores do laboratório que se sentiram restringidos pela determinação da presidência da CILPE.

Tomei a providência que me cabia: telefonei para o Delegado do Ministério da Agricultura de então, nosso velho amigo Simões – já falecido – dei-lhe conhecimento do ocorrido e comuniquei que se o seu pessoal não retirasse o bloqueio praticado no acesso da nossa empresa dentro de 15 minutos, eu comandaria pessoalmente os nossos peões para arrastar os veículos do seu pessoal, contanto que a direção da CILPE não fosse desrespeitada em sua determinação, já que o poder de fiscalização do órgão não alcançava medidas internas administrativas. E mandei chamar o chefe do laboratório para comunicar-lhe minha decisão.
A conversa não foi tão difícil como esperava. O Chefe do Laboratório, profissional sério mas equivocado, cometeu o descuido de alegar em sua primeira justificação que “Nós somos autoridade federal e temos direito de entrar por qualquer dependência da empresa (sic)”. Aproveitei a oportunidade e, usando este meu jeito sempre jocoso e bem-humorado, retruquei-lhe na hora: “Por isso não, amigo, eu também sou autoridade na condição de neto de soldado de polícia e nunca invoquei essa autoridade pra ninguém (sic)” e confirmei para ele o que já decidira e comunicado a seu chefe. Felizmente, percebeu que pisava em areia movediça, o bom senso funcionou e ele mandou retirar os carros da entrada!

Doutra feita, como Superintendente Administrativo da COSINOR que coordenava o Setor Jurídico da empresa, tivemos que enfrentar uma questão jurídica grave, promovida por uma multi-nacional que, recusando liminarmente o pagamento da encomenda que entregamos para as Centrais Elétricas de Rondônia, intentou uma ação de indenização, em que alegava defeitos de fabricação em seis tanques fixos enormes para depósito de líquidos, louvado em laudo do IPT de São Paulo, tido como o maior instituto tecnológico do país.
Para fazer essa defesa, tive que aliar-me ao bom corpo técnico da COSINOR e aprender tudo que existia em torno de normas técnicas na regulação brasileira e mundial sobre construção, fabricação de produtos, resistência de materiais, testes de componentes, insumos e operação de equipamentos e as normas técnicas internacionais em vigência. Aprendi, desde logo, a extrema complexidade do assunto que circunda o comércio internacional, já que também exportávamos vergalhões para um bom número de países e as exigências eram igualmente rigorosíssimas.

Fomos bem sucedidos, mas para tanto contratamos um eminente professor paulista, destruidor de ícones, corajoso, que enfrentou a questão com extrema competência e conseguiu provar – técnica e juridicamente – que um teste inadequado de operação  promovido pelo IPT-São Paulo foi o verdadeiro responsável pela deformação dos tanques fabricados.
Ganhamos a questão de forma retumbante, às custas  de um laudo infeliz do maior instituto tecnológico da América Latina e sou muito orgulhoso disso.

Melhor, aprendi um pouco do requinte e conheci as entranhas do comércio internacional e, por essa razão, estranho a espetaculosidade montada pela PF, de muito barulho, pouco resultado e de efeito colateral terrível pelo dano que poderá causar a um setor produtivo que envolve 7,5% do total das exportações brasileiras.
É surrealismo puro, um provável dano causado pelo frigorífico de uma micro-empresa (EIRELI), na condição de um dos 21 apontados dentre cerca de 4.800 existentes no país, repercutindo no comércio internacional pela leviandade da PF. Não há como fugir  do lugar comum: Seria cômico, se não fosse trágico!

segunda-feira, 27 de março de 2017

A CARNE É MUITO FORTE. SÓ A PF NÃO ENTENDEU...

Essa “Operação Carne Fraca”, desencadeada pela Polícia Federal nos últimos dias, vem desencadeando notável repercussão no Governo Federal, na economia nacional e nos meios empresariais brasileiros, tamanho são os valores referidos, sem falar nos efeitos danosos provocados no comércio internacional de carnes, sobretudo por sua ressonância na posição exportadora brasileira.

A desastrada espetaculosidade do seu anúncio; a irresponsável indefinição dos responsáveis pelos ilícitos praticados; a ausente qualificação dos ilícitos referidos (não sabiam sequer que acido ascórbico é Vitamina C!); a aparente inadequação do papel dos agentes envolvidos (não se esclarecem os agentes e os ilícitos de cada um); do aparente isolamento do Ministério Público em seu acompanhamento, chama a atenção por algumas especificidades:
1.      – A matéria foi repercutida por rádio, televisão, imprensa falada e escrita, rede social, sem limites e sem identificação das fontes e o seu efeito perante o mercado internacional configura-se de complexa reparação;

2.      – Foi apresentada uma lista de empresas – 21 tidas como “investigadas”, sem qualquer definição da ilicitude praticada por cada uma. Na verdade, não são 21 empresas, são 21 frigoríficos de 21 empresas e no Brasil, existem 4.800 estabelecimentos desses!... Vai de grandes empresas de atuação no mercado internacional a simples “Eireli” (micro-empresa) de pequena cidade do interior do Paraná;

3.      – O Ministério da Agricultura já suspendeu a exportação dos produtos dos 21 estabelecimentos (note-se que a suspensão foi dirigida aos frigoríficos  citados e não às empresas em sua integridade) que estão submetidos à uma inspeção especial para apuração dos fatos;

4.      – Não há clareza quanto aos ilícitos praticados, não relaciona os dirigentes empresariais, nem os agentes públicos envolvidos e, muito menos, a responsabilidade de cada um;

5.      – Muito claro que o Ministério Público foi marginalizado na investigação e não teve qualquer participação que estabelecesse o necessário comedimento e equilíbrio nas apurações;

6.      – A ameaça de dano à exportação é preocupante, pois o setor representa 7,5% (sete e meio por cento) do nosso comércio exterior, com presença permanente em cerca de 150 países, ficando atrás apenas da soja e minério de ferro. Estimam os consultores que uma redução de 10% nas exportações do setor, representaria a perda de 420.000 postos de trabalho;

7.      – A operação (reconhecida como necessária !) se fosse corretamente divulgada, realçando a preocupação adequada dos órgãos oficiais de fiscalização brasileira, poderia ter sido um poderoso instrumento de fortalecimento do conceito do produto nacional perante um melindroso mercado internacional. Ao revés, com a leviandade como foi divulgada, denegriu a credibilidade de nossas exportações;

8.      – Não esqueçam que o mercado internacional de carnes (boi, porco e frango) envolve rigorosas exigências de qualidade que vão da natureza sanitária, embalagens, conservação e até às culturais. Experimentem vender carne de porco aos árabes... Para que se tenha ideia, a luta para o reconhecimento da extinção da febre aftosa no território nacional que permitisse a liberação de nossos produtos para exportação, vem do século passado e exige um esquema de vigilância permanente;

9.      – Atualmente, uma das mega-empresas brasileiras inseriu-se no mercado produtor norte-americano através da compra de uma das maiores empresas americanas manipuladoras de carne e hoje lidera o mercado daquele país;

10.  – Quem trabalha ou já trabalhou no comércio internacional, sabe das rigorosas exigências que todos os países impõem na regulação de importação, ao estabelecer suas normas técnicas de classificação, exigência de performances, testes físico-químicos, sendo de relevar que cada país tem as suas próprias normas técnicas que os exportadores têm que cumprir sob pena de não permitirem sequer o seu descarrego nos portos de destinos;

11.  – É de extrema ignorância imaginar que as empresas importadoras estrangeiras recebam QUALQUER produto, sem procederem os mais severos testes de qualidade dos produtos adquiridos que certifiquem as especificações das normas técnicas de uma linguiça, um vergalhão de aço, um farelo de soja, um punhado de minério ou um avião da Embraer!

12.  – Essas descritas trampolinagens, fruto de procedimentos indecentes e das tenebrosas transações de alguns estabelecimentos frigoríficos com os fiscais de Inspeção dos produtos animais, nunca contornariam as exigências do mercado importador mundial.

Pelo jeito, só a Polícia Federal depois de trabalhar exaustivamente durante dois anos, envolvendo tarefas complicadas em 21 frigoríficos, em trabalho cansativo envolvendo mais de uma centena de agentes, lidando com matérias de alta indagação técnica e numa operação de alta relevância, na ânsia de mostrar serviço estragou o seu trabalho ao fazer uma divulgação apressada e de pouca consistência investigativa.  A leviandade foi tanta que desconheciam que ácido ascórbico é Vitamina “C” e uma inócua discussão sobre embalagens de produtos levou à uma interpretação ridícula de mistura de papelão com carne!
 
Contribuiu, apenas, para proporcionar um tremendo risco de prejuízo aos supremos interesses da Nação que permanece envolvida, atualmente, com sérios problemas econômicos. Que prossigam seu trabalho da forma correta, encaminhando suas conclusões aos órgãos julgadores na forma institucional, no sentido de responsabilizar e condenar os anunciados corruptos e corruptores. Na democracia é assim!
 
Ainda bem que a Carne é Muito Forte e ao que parece, tem suficiente estrutura e respeito para manter a credibilidade conquistada com muita luta durante muitos anos no mercado internacional, como bem demonstram algumas manifestações de alguns países importadores como a Coreia do Sul que levantou o embargo de carnes de frango; os Emirados Árabes, Egito, Arábia Saudita, Chile e a China (maior cliente de carne suína do mundo) mantêm o bloqueio apenas para os frigoríficos investigados (apenas 21 num universo de mais de 4.000); e o que pode remanescer com maior prejuízo é o estardalhaço de sua divulgação e a queda de consumo no mercado interno, em face do desabono geral dos produtos. A conferir!

 

      

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 20 de março de 2017

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Mesmo mantendo o sentimento da paixão nas coisas da política, não perco meu vezo cartesiano ao apreciar uma necessária lógica que deveria presidir os fatos que ocorrem atualmente em nosso ensandecido país.

Quando observo uma aguerrida e organizada ofensiva contra uma reforma da previdência, que está em curso nas ruas, nos centros de ensino, nas entidades sindicais e nas forças conservadoras (ou não é característica do conservadorismo a manutenção do status quo?), verifico que o movimento está acentuado por palavras de ordem, slogans, estribilhos e redundantes mensagens.

Desconfio que 90% da multidão ainda não leu, na íntegra, o projeto em questão e limita-se a repetir a linguagem comiciana e a sustentar algumas inverdades para assustar a imensidão de pobres aposentados, como fizeram na campanha de Dilma para assombrar os beneficiários da Bolsa Família, que resultou no maior estelionato eleitoral jamais praticado em terras brasileiras.!   

Não se discute, nem se debate nada. O projeto tramita no foro competente (Congresso Nacional) e pouquíssimos parlamentares (ainda bem!) estão propondo emendas e levantando questões pertinentes. O negócio é ser CONTRA e a massa manipulada manifesta-se ‘TOTALMENTE CONTRA A REFORMA PREVIDENCIÁRIA’.

A partir de uma campanha TOTALMENTE contra uma reforma, sem sequer admitir a possibilidade de discussão podemos tirar algumas conclusões inevitáveis, em total consonância com as mais elementares regras de um processo dialético:

1º - Os participantes deste MOVIMENTO, que combate TOTALMENTE essa reforma, estão PLENAMENTE satisfeitos e consideram JUSTO o Sistema Previdenciário Nacional vigente!

2º - O MOVIMENTO concorda e, sem divergências, considera equânime a existência concomitante de um Regime Geral da Previdência e um Regime Público da Previdência, com regras monstruosamente discrepantes, a ponto de alcançar no ano de 2015, uma média de pensão do primeiro (com 28 milhões de beneficiários) na ordem de apenas R$1.338,15 e (mil, trezentos e trinta e oito reais e quinze centavos) e, no segundo (com apenas 1,3 milhões de beneficiários), atingir o valor de R$8.419,18 (oito mil, quatrocentos e dezenove reais e dezoito centavos), ou seja, mais de seis vezes maior!...

3º - O MOVIMENTO aceita a desigualdade e tem como legítima que - na prática - essa divergência seja responsável pelo mesmo volume de despesa de ambos os regimes, mesmo ao considerar que o público-alvo do Regime Público representa apenas 4% (quatro por cento) da população beneficiada pelo Regime Geral! E que a imensa maioria das pensões do Regime Geral recebe apenas um mísero e infamante salário-mínimo de R$940,00 (novecentos e quarenta reais) e isso a partir de janeiro de 2017. Adianto, antes que coloquem dúvidas nos dados referidos, que a fonte de informação é o SEAFI

4º - Mesmo assim, o MOVIMENTO deve considerar justíssima essa média salarial do Regime Público, na ordem de nove mil reais, mas desafia-se que exista no Brasil inteiro um só professor do ensino médio – entre milhões de servidores públicos estaduais e municipais – recebendo uma pensão de aposentadoria de valor igual ou superior a essa. Essa média só é obtida graças a uma fantástica legião de afortunados marajás da República que constitue, hoje, uma pantagruélica e nunca satisfeita pequena burguesia que lidera esse Movimento.

5º – O MOVIMENTO está conformado e defende a manutenção de um Regime Geral que limita a contribuição e o benefício decorrente em apenas 10 (DEZ) vezes o salário-mínimo e ainda estabelece a redução do chamado “fator” ao assalariado comum, enquanto o Regime Público não tem limitações e garante o benefício integral, sem quaisquer reduções e ainda acrescido de diversos badulaques.

6º - O MOVIMENTO aplaude e defende a sustentação de pensões dos parlamentares, mesmo considerando que, em alguns casos, com contribuição de quatro anos de um único mandato, resultando disso que existem atualmente nada menos que 501 (quinhentos e um) Ex-Deputados recebendo pensão parlamentar. Tanto que nosso amigo e deputado pernambucano Cadoca já se apressou em apresentar uma emenda para garantir a manutenção desse benefício.

7º - O MOVIMENTO, em obstinação pouco inteligente, finge ignorar a importância da migração etária ocorrente no mundo inteiro, por força do aumento da expectativa de vida dos humanos que não concilia com o cálculo atuarial da previdência. O mundo inteiro alarmado com esse novo horizonte e rendido aos novos tempos, vem cuidando de aperfeiçoar os seus sistemas e apenas o Movimento entende que está tudo “ótimo no melhor dos mundos” em ridícula interpretação panglossiana. Lembram todos que há pouco tempo, o STF com razão aumentou a idade compulsória de aposentação para 75 anos ?

8º - O MOVIMENTO engana a população quando NÃO esclarece que somente no período de 2.000 a 2014, segundo o IBGE (quem quiser confira), a população brasileira ativa cresceu em média de 1,46% ao ano, enquanto a população idosa (acima de 60 anos) cresceu em média 3,48%, o que significa que a cada ano, a diferença entre a população ativa e a população idosa cresce mais de 2%;OU SEJA, a cada dia bem mais gente se aposentando em relação à gente contribuindo. Dá pra fechar a conta?. 

9º - O mundo inteiro – de todas as naturezas e culturas ideológicas - corre contra o tempo e todas as economias buscam ajustar suas medidas e providências para reequilíbrio dos seus sistemas atuariais que assegurem sua higidez econômica e o MOVIMENTO – com seu conservadorismo medieval – trabalha com regras , conceitos e tiradas demagógicas, ancoradas na revolução industrial do Século XIX e esquece que estamos em pleno Século XXI, atropelado pela revolução tecnológica. Corram todos e muito, pois como dizia Stanislaw Ponte Preta: “Quem se atrasar e não alcançar as caravelas de Cabral de volta, vai ter que usar tanga e virar índio”. 

Para não ficar enfadonho, por hoje é só, mas ainda voltaremos a outras facetas do assunto.

segunda-feira, 13 de março de 2017

OS DONOS DO MUNDO


 

Devemos enaltecer as ações exitosas dos órgãos públicos, com a mesma ênfase com que os criticamos, por vezes, por suas atividades mal sucedidas. Os jornais dão notícia de uma pronta atividade do PROCON de Pernambuco, interferindo no comportamento abusivo praticado pelos bancos em nosso Estado, ao manter fechadas suas agências assaltadas em prejuízo das atividades econômicas e da comodidade da sua população. 

Lembrei-me, a propósito, de que em junho de 2015, quando correu a notícia de que o Banco do Brasil – Agência do Recife estaria vendendo dólares falsos, publiquei um texto em que dizia:

“Banco do Brasil vende dólares falsos. Pai e filha estão retidos nos Estados Unidos após tentarem depositar em agência americana dinheiro comprado no banco”

Como é mesmo ?  O Banco oficial de um país civilizado vendendo dinheiro falso ?  O nosso Banco do Brasil S/A, instituição bancária respeitável e secular, aceitando dinheiro falso e servindo de mula para falsários ? Operação somente desmascarada nos Estados Unidos (que vergonha!) mediante a intervenção do FBI que meteu algemas no infeliz casal portador e apreendeu o dinheiro falso. O vexame exigiu a intervenção diplomática da Embaixada Brasileira.

Dias depois, com a divulgação da existência de 6 (seis) casos já constatados na agência do Banco do Brasil em Recife de dólares falsos recebidos e passados adiante (?) é que, APÓS SER AUTUADO PELO PROCON-PERNAMBUCO de acordo com a legislação de Defesa do Consumidor, surgiu uma nota da agência do Recife, suspendendo as operações de câmbio com a moeda norte-americana por 30 dias, que revela um primor de desavisada ingenuidade e um desvio ostensivo do verdadeiro foco da questão.

Comecemos pela origem da nota que, em se tratando de questão grave e de repercussão internacional, deveria ser iniciativa da Direção Geral do BB e não de uma simples Superintendência Regional. Confessa, ainda, que tomou a providência de “suspender o serviço de câmbio em todas as agências do Estado por 30 dias” o que quer dizer: a providência não foi iniciativa própria e SOMENTE FOI TOMADA ATENDENDO À AUTUAÇÃO DO PROCON-PERNAMBUCO que tem jurisdição e competência restrita apenas a este Estado. Vamos pelo menos falar com um mínimo de sinceridade. Não fosse a atuação vigilante das autoridades estaduais, através da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, seguramente continuaria a enxurrada de moeda falsa circulando em seus escaninhos, sem qualquer providência.”

Já se vê, portanto, que a providência adotada agora pelo PROCON de PERNAMBUCO no que diz respeito às multas aplicadas pelo fechamento de algumas agências de bancos no Interior (mais precisamente Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica, Itaú, e Santander) tem total procedência e não deve ser encarada com indiferença, uma vez que – conforme ocorreu com o episódio da venda de dólares falsos pelo Banco do Brasil – não fosse a sua previdente atuação, e o Imprevidente Banco teria continuado, impunemente e sem pudor, a distribuição de dólares falsos em todo o Brasil.

O Sistema Bancário Brasileiro, público e privado, desfruta dos maiores lucros já auferidos por qualquer atividade econômica do país e, sem quaisquer satisfações à população e às instituições como se vivessem em outras galáxias, simplesmente desativam suas agências no interior do Estado deixando seus clientes ao desamparo e a circulação econômico-financeiro de todo interior desativado.

Tudo sob a cavilosa alegação da insegurança provocada pelas  explosões e dos saques às suas agências. Imaginem se todas as atividades produtivas de qualquer natureza no país resolvessem encerrar suas atividades sob o mesmo pretexto..

Claro, que o Poder Público tem responsabilidades com a segurança pública da população de modo geral e não de forma seletiva, mas a atividade bancária tem lucros, recursos, estrutura e condições capazes de prover a sua própria segurança e, na sua inarredável condição de prestadores de serviços públicos, não podem eximir-se dessa obrigação!

Cobrar obrigações do Poder Público para garantir um sistema de segurança privado e assegurar o funcionamento de todas as agências Bancárias do País: É PURA CHANTAGEM QUE O SISTEMA BANCÁRIO ESTÁ PRATICANDO AO FUGIR DE SUAS RESPONSABILIDADES SOCIAIS E ECONÔMICAS, E FORÇAR O PODER PÚBLICO A SUBSTITUÍ-LO NA SUA PRÓPRIA SEGURANÇA.

Servem mal, cobram os juros mais escorchantes do Mundo, conquistam lucros fantásticos que envergonhariam o mais irredutível agiota e ainda querem posar de “coitadinhos indefesos

Aplausos para o PROCON-Pernambuco por sua pronta e oportuna atuação para mostrar (como mostrou ao Banco do Brasil no caso da venda de dinheiro falso) que temos um órgão vigilante na defesa da população de Pernambuco. De forma lamentável, não temos como dizer o mesmo em relação aos outros Estados, ao Banco Central do Brasil e, muito menos, ao Governo Federal.