segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

MANOEL PAES TORRES

Manoel Paes Torres, cidadão de conduta irrepreensível, inteligente, espirituoso, proprietário da Fazenda Brasileiro em Brejão e dirigida atualmente por seu filho Miguelzinho ex-Prefeito de Brejão. Casado com a filha mais velha de “Seu” Miguel Calado Borba, uma das maiores lideranças políticas do Agreste. Pai de numerosa e muito digna família, registra alguns casos que bem demonstram a sua personalidade generosa, decente e, além do mais, sempre bem humorada, apesar de uma aparente sisudez.

RECLAMAÇÃO DE MANOEL AO CAIXA DO BANCO DO BRASIL

Na agência do Banco do Brasil em Garanhuns que permanece ainda hoje no mesmo lugar de então, existia um caixa, Sr. Valdemar, autoritário, seco, mal humorado e considere-se que, até pela estrutura administrativa na época, os Caixas se constituíam no segundo escalão abaixo apenas dos Gerentes e Subs. Em cima da janelinha do caixa tinha afixada uma placa que dizia:

“Confira seu dinheiro na hora. Depois não aceitamos reclamação.”

O resultado é que num belo dia, Manoel Paes Torres vai receber uma bela soma em dinheiro e como demoraria a contar, para facilitar, afastou o pacote de dinheiro da frente da janela do caixa e junto, no próprio balcão, começou a contar o dinheiro. Logo percebeu que estava sobrando dez mil cruzeiros (era muito dinheiro até para a época) e, de imediato, dirigiu-se ao caixa Waldemar e o alertou que o dinheiro estava errado.

Sem qualquer indagação, Waldemar limitou-se a apontar a placa dizendo que havia passado a hora da reclamação. Em vista da rejeição, Manoel Paes ainda tentou, mas não conseguiu demover o empedernido Caixa, retirou-se obedientemente e foi embora.

No fim do dia, o “inevitável!”. Constatada a diferença, mas conhecendo a honradez de Manoel, Waldemar corre pressurosamente à sua residência para resolver o problema verificado quanto ao dinheiro que faltou no caixa. Ao ser solicitado pela devolução da importância paga a maior, Manoel Paes retrucou-lhe, com toda a tranquilidade e sem levantar a voz, que “havia passado a hora da reclamação!” e, por consequência, não podia fazer nada para ajudá-lo.

Daí em diante, foram dois dias de horror pra “Seu” Waldemar. Recorreu a Deus e o mundo, amigos comuns e nada adiantou. Manoel Paes permanecia irredutível: “Passou a hora da reclamação!” repetia como uma gravação.

Até que no terceiro dia, Manoel Paes entrou no Banco do Brasil, com um pacote debaixo do braço que colocou na boca do caixa na frente de Waldemar e fez um verdadeiro comício para todos os presentes dizendo:

 “Tome a merda do seu dinheiro, que eu não preciso dele. Que lhe sirva de lição e deixe de ser mal educado e grosseiro, nem tome a medida dos outros pela sua. Aprenda a respeitar as pessoas honestas.”

Desnecessário adiantar que Waldemar não deu uma palavra. Ouviu calado!


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