sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O INFERNO ASTRAL DE ISAÍAS

Parece que a visita ao berço da civilização latina não lhe fez bem, pois o nosso Prefeito Isaías continua cometendo infelizes deslizes verbais. Aproveitou-se do sério ritual de sua apresentação de contas do exercício de 2015 à Câmara de Vereadores, para fazer acusações apressadas e não comprovadas ao Governo do Estado.
Ao esquecer da sua responsabilidade de legítimo e supremo mandatário do Município, sem o menor comedimento da liturgia do cargo e sem a menor cautela de comprovação, acusa de forma leviana, sem nominar responsáveis:

O Governo do Estado mandou a Assistência Social esconder uma ambulância e (disse) peça a ambulância ao Município. Como se o Município tivesse mais dinheiro que o Governo do Estado. Mande esconder a ambulância, peça ao Município”, relatou o Prefeito de Garanhuns, durante discurso na abertura do ano Legislativo da Câmara de Vereadores, realizada no auditório da AESGA, na última segunda-feira, dia 1º. Segundo Régis uma assistente social do Hospital Dom Moura teria lhe repassado a informação.” (Fonte: Blog de Carlos Eugênio)

Meu caro Isaías: A dignidade do cargo que você ocupa, não lhe permite a liberdade de prestar-se à condição de delator, sem apontar os agentes responsáveis pelo cumprimento da ordem e pela obediência à maluca determinação. O Governo (segundo a sabedoria popular, Governo é muita gente!) do Estado é impessoal, caro amigo, e você teria a obrigação e o dever institucional de nominar não só o autor desse desabrido comando, como da assistente social que lhe informou e do subordinado que a executou se é que aconteceu. E tudo isso obedecendo à liturgia do cargo que ocupa (parece até que você não entendeu ainda!) através dos instrumentos institucionais que devem presidir a relação entre as diferentes esferas do poder.

A cooperação entre os Poderes e a solidariedade entre os cidadãos para melhor atender à população, é apanágio inarredável para o aperfeiçoamento das instituições e a consecução do bem comum. Não deixe sua denúncia no vazio, nem na expectativa da abertura de caixas pretas. Sua responsabilidade impõe que não deixe sua acusação no ar, sem indicar os autores da ilicitude, para não se transformar em mera especulação sem qualquer base fática ou comprovação. Inclusive para contribuir para um competente inquérito administrativo com o objetivo de identificar o(s) autor(es) da ilicitude cometida.

Até que fiquei feliz com a sua acertada decisão de desistir do equivocado alargamento da Av. Ruy Barbosa, mas volto a me preocupar com uma possível embriaguez de poder que parece lhe encantar. Vou ser bem didático. O exercício da política exige uma busca permanente dos pontos de convergência, respeitando as possíveis divergências que eventualmente ocorrem entre os Poderes e todas as suas esferas e alçadas. Por maiores que sejam ou pareçam ser os ocasionais desentendimentos, não se pode perder de vista que o objetivo maior das governanças é o bem comum, mesmo que, por vezes, essa postura possa ser estranha a quem tem sua mente bitolada por estreitas visões do processo político.   

Reconheço que não é fácil e muitas vezes a gente se perde no tormentoso caminho da coerência, mas temos a obrigação de persistir, considerando que a trilha da democracia é a mais árdua vereda a seguir. Pertencemos a um país jovem com espasmos periódicos de exercício democrático e, como você sabe e viveu muito bem, estamos atravessando o mais longo período de prática democrática que o Brasil conheceu.  Exige de todos nós que, acima dos interesses pessoais e da luta pelo poder, não percamos de vista o interesse maior do bem comum, tendo como objeto o povo brasileiro, sem esquecer que sua grande maioria é composta de gente carente dos mais elementares direitos da cidadania.

Esse tipo de discussão não tem a menor importância para a imensa maioria da população. O necessitado quer a ambulância para lhe socorrer, pouco lhe importando a quem pertence o veículo. Quer o remédio receitado para melhorar sua saúde ou, até, para salvar sua vida que é preciosa para si e os seus familiares.  Quer o exame laboratorial para identificar o mal que lhe aflige e poder curá-lo, sem tornar-se devedor do “generoso” doador. È obrigação do Estado, bem como do Município, prestar o benefício sem deixar o assistido como escravo do favor, da mesma forma que o sedento não pode ser devedor do carro-pipa que lhe levou uma lata dagua, nem o pobre submisso à escola pública que educou seus filhos.

Cuidado amigo, que essa incontinência verbal com acusações apressadas está lhe conduzindo à areias movediças que são fáceis de acessar, mas muito difícil de se livrar. Não se deve acusar quando não se pode provar.




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